Fertirrigação com carretel: como transformar os resíduos da propriedade em produtividade na lavoura
A fertirrigação com carretel é a aplicação de dejetos líquidos ou fertilizantes diluídos diretamente na lavoura, por meio de um sistema de irrigação com mangueira e recolhimento automático. É uma solução indicada para produtores rurais com suinocultura ou pecuária leiteira que querem aproveitar os resíduos da esterqueira como fonte de nutrientes, reduzindo o gasto com fertilizantes químicos e o trabalho manual no campo.
O que é fertirrigação?
A fertirrigação, conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é a aplicação de nutrientes por meio da água de irrigação. O sistema permite que fertilizantes minerais ou dejetos líquidos sejam distribuídos diretamente na lavoura, levando os nutrientes até a raiz da planta de forma mais uniforme e eficiente.
Na prática, isso significa que o produtor consegue irrigar e adubar ao mesmo tempo, em uma única operação, sem precisar entrar na lavoura com maquinário pesado.
Para que o material funcione bem utilizando um carretel Fertirrigat, o ideal é trabalhar com aproximadamente 80% de dejeto líquido e até 20% de dejetos sólidos. Acima disso, o risco de entupimento aumenta e a bomba passa a trabalhar com mais dificuldade.
Por que a fertirrigação cresce tanto nas propriedades rurais?
A fertirrigação cresce porque o produtor precisa produzir mais utilizando melhor os recursos que já possui dentro da propriedade. Dados da Revista Cultivar mostram que a “fertirrigação é uma técnica com boas vantagens para a lavoura e o produtor”.
Em muitas regiões, principalmente no Sul do Brasil, o produtor enfrenta desafios como: aumento do custo dos fertilizantes; excesso de chuva em determinados períodos; dificuldade para entrar com maquinário na lavoura; compactação do solo e necessidade de destinação correta dos resíduos.
Nesse cenário, transformar dejetos em fonte de nutrientes passa a ser uma estratégia econômica e operacional. A fertirrigação reduz operações desnecessárias no campo, diminui o trânsito de máquinas e melhora a eficiência do manejo nutricional.
Como funciona a fertirrigação com carretel?
Na fertirrigação com carretel, o dejeto líquido ou fertilizante diluído é incorporado à água e distribuído durante o recolhimento da mangueira. No Fertirrigat 50/120, o funcionamento acontece de forma simples, veja:
O material sai do reservatório por meio de uma motobomba;
O líquido percorre uma tubulação em PVC até chegar ao carretel;
Um motor acoplado à redutora realiza o recolhimento automático da mangueira;
O aspersor distribui o conteúdo de forma uniforme na área;
O sistema permite velocidade controlada de recolhimento, garantindo aplicação homogênea conforme as necessidades da cultura, clima e solo.
Do resíduo ao resultado: quando a esterqueira deixa de ser problema?
A gente sabe que a esterqueira não espera, ela enche. E quando enche, especialmente em períodos de chuva ou solo úmido, o manejo pode se tornar um desafio operacional e ambiental dentro da propriedade.
É exatamente nesse ponto que a fertirrigação ganha força. Ela transforma um passivo ambiental em fonte de produtividade, nutrientes presentes nos dejetos, como nitrogênio, fósforo e potássio, passam a ser aproveitados na lavoura.
Isso gera:
Redução no investimento com fertilizantes químicos;
Melhor aproveitamento dos resíduos;
Menor impacto ambiental;
Mais sustentabilidade dentro da propriedade;
Ganho operacional no manejo.
Fertirrigat 50/120: desenvolvido para a fertirrigação com carretel
O Fertirrigat representa uma evolução do sistema para fertirrigação com carretel, trazendo mais versatilidade e preparação para as necessidades atuais do produtor rural. O equipamento foi desenvolvido para integrar irrigação e nutrição de forma prática, eficiente e inteligente. Entre os diferenciais do equipamento estão:
recolhimento automático da mangueira;
aplicação uniforme;
operação simplificada;
compatibilidade com sistema RCP;
menor necessidade de mão de obra;
maior eficiência no uso dos nutrientes.
Compatível com sistema RCP: mais versatilidade na irrigação
Uma das principais evoluções do Fertirrigat é sua compatibilidade com o sistema RCP (Recolhimento com Pistão). Esse sistema utiliza o próprio fluxo da água para realizar o recolhimento na irrigação convencional, reduzindo o uso de combustível e tornando a operação mais econômica.
O kit é adquirido separadamente e pode ser instalado posteriormente, permitindo que o produtor adapte o equipamento conforme a necessidade da propriedade. Na prática, o produtor passa a contar com duas possibilidades de operação:
fertirrigação com motor e redutora;
irrigação com sistema RCP.
Características técnicas do Fertirrigat 50/120
Comprimento da mangueira: 120 metros Bitola: 50 mm Vazão usual: 18.200 litros/hora Alcance usual do aspersor: até 26 metros Espaçamento usual entre faixas: 42 metros Área irrigada por faixa: 0,59 hectare Tempo por faixa irrigada: de 45 minutos a 5 horas Carrinho regulável: até 2,35 metros de altura Ângulo de irrigação: 360° Operação: em áreas com até 30% de desnível
Fertirrigação com carretel reduz custos e melhora o aproveitamento dos nutrientes
Em propriedades leiteiras e de suinocultura, produtores relatam redução significativa no uso de fertilizantes minerais após iniciar o aproveitamento dos dejetos na lavoura.
Na fazenda da produtora rural, Marília Guimarães Souza Torezam, localizada na Serra do Salitre, em Minas Gerais, essa combinação já é realidade, e tem na fertirrigação com carretel um dos seus principais pilares.
Com produção voltada para o leite e para o café, a propriedade destina cerca de 80 hectares para a atividade leiteira. O rebanho soma 350 animais, sendo 150 em lactação, responsáveis por uma produção diária que varia entre 5,6 mil e 5,7 mil litros de leite.
Para dar conta da demanda alimentar e, ao mesmo tempo, resolver um dos principais desafios da atividade, que é o manejo de dejetos, a propriedade adotou um sistema eficiente de reaproveitamento desses materiais.
“A fertirrigação a gente faz da seguinte forma: lava as pistas de alimentação das vacas com água, a gente tem um flush, esse dejeto cai em um tanque e é separado”, explica Marília.
Segundo ela, o resíduo passa por um separador de sólidos, onde ocorre a divisão entre as partes líquida e sólida. “A parte sólida a gente volta para a cama como reposição e a parte líquida a gente leva de volta para a lavoura em forma de fertirrigação”, completa.
O sistema de fertirrigação opera diariamente na fazenda, a parte líquida é bombeada e direcionada pelo carretel que distribui o material em uma área de aproximadamente sete hectares cultivados com tifton. A forrageira, por sua vez, é utilizada na alimentação do rebanho, tanto para recria quanto para vacas em lactação.
“A gente liga todos os dias a bomba que sai dessa lagoa líquida e ela alimenta o carretel. Esse carretel faz a fertirrigação de uma área de tifton que a gente tem, que foi formada com esse sistema”, explica Marília.
Além de garantir a destinação adequada dos dejetos, a tecnologia trouxe ganhos operacionais importantes. Antes da implementação, o esvaziamento era feito com chorumeira, exigindo mais tempo e mão de obra.
“O que motivou, primeiramente, foi a dificuldade da gente ficar esvaziando os dejetos com a chorumeira, era um trabalho muito grande, uma mão de obra muito grande. Então, por facilitar essa mão de obra, a gente optou por automatizar.”
Com a fertirrigação, o processo se tornou mais ágil e prático. “A gente liga a bomba, estica a mangueira do carretel e esse dejeto é eliminado de forma bem mais rápida”, resume.
Outro benefício relevante está na produção de alimentos ao longo do ano. Mesmo durante os períodos de estiagem, a área fertirrigada mantém o desenvolvimento do tifton, garantindo volume de qualidade contínuo para o rebanho.
“A gente consegue ter capim o ano todo, porque como faz a fertirrigação nessas áreas na época da seca, provavelmente a gente não teria tifton sem isso”, destaca Marília.
Embora não tenha números exatos sobre o impacto produtivo, a produtora afirma que os resultados são positivos. “O benefício não tem como ser negado, porque você reduz muito a mão de obra e a eficiência em dar uma destinação para esses dejetos é muito alta.”
Principais dúvidas sobre fertirrigação
O que é a fertirrigação com carretel?
É a aplicação de dejetos líquidos ou fertilizantes diluídos na lavoura por meio de um carretel irrigador com recolhimento automático de mangueira. O sistema distribui o material de forma uniforme na área enquanto a mangueira é recolhida.
Posso usar dejetos de suínos ou bovinos?
Sim, dejetos líquidos podem ser utilizados desde que tenham manejo adequado e proporção aproximada de 80% líquido e 20% sólidos para evitar o entupimento.
O Fertirrigat funciona apenas para fertirrigação?
Não, com o kit RCP (adquirido separadamente), o equipamento também funciona para irrigação convencional com água, usando o próprio fluxo para puxar a mangueira.
A fertirrigação ajuda a reduzir custos?
Sim, o sistema reduz a necessidade de fertilizantes químicos e diminui operações mecanizadas na lavoura.
A fertirrigação compacta o solo?
Não, como reduz o trânsito de maquinário pesado, a fertirrigação ajuda a preservar a estrutura do solo.
Qual a vantagem do Fertirrigat?
O Fertirrigat permite transformar resíduos da propriedade em fonte de nutrientes e produtividade, unindo irrigação e nutrição em uma única operação.
Quantos animais preciso ter para valer a pena fazer fertirrigação com carretel?
Não existe um número mínimo fixo, mas propriedades com suinocultura ou pecuária leiteira com esterqueira ativa geralmente já têm volume suficiente para viabilizar o sistema. O importante é ter volume de dejeto líquido consistente e área de lavoura para receber a aplicação.
Com a nova geração do carretel Fertirrigat 50/120, o produtor consegue unir irrigação e nutrição em uma única operação, aplicando água e nutrientes de forma uniforme, prática e estratégica.
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