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šŸŒæ IrrigaĆ§Ć£o de pastagens: como obter boa produtividade animal šŸ’§

A irrigaĆ§Ć£o de pastagens Ć© uma alternativa interessante para aumento da produtividade animal, porĆ©m, para que funcione e gere os benefĆ­cios esperados, precisa ser bem planejada e o sistema de produĆ§Ć£o preparado para recebĆŖ-la.

Assegurar produtividade elevada de leite de boa qualidade Ć© requisito essencial para o sucesso da atividade como modalidade de exploraĆ§Ć£o econĆ“mica da terra. Por essa razĆ£o, tem crescido o interesse sobre a verticalizaĆ§Ć£o da produĆ§Ć£o por meio de aumento da produĆ§Ć£o por unidade de Ć”rea da fazenda, ou seja, pela intensificaĆ§Ć£o do processo produtivo. A intensificaĆ§Ć£o pode ser feita de vĆ”rias formas, que variam em grau de complexidade e custo, comeƧando pela simples colheita eficiente e adequada da forragem produzida, passando pelo uso de fertilizantes, especialmente nitrogenados, e culminando com o uso da irrigaĆ§Ć£o. Este Ćŗltimo Ć© um recurso caro e precisa ser utilizado com parcimĆ“nia, uma vez que modifica drasticamente o ritmo de crescimento das plantas e altera, significativamente, a velocidade dos processos e a necessidade de monitoramento e controle do processo de pastejo, devendo ser considerado como o Ćŗltimo degrau a ser galgado e explorado pelo produtor rural, uma vez que requer preparo e sabedoria para sua utilizaĆ§Ć£o.

Para o crescimento da planta forrageira sĆ£o necessĆ”rios luz, temperatura, Ć”gua e nutrientes. Sempre que a disponibilidade de um ou mais desses fatores de crescimento Ć© reduzida, o crescimento das plantas Ć© pequeno, e a produĆ§Ć£o de forragem baixa, caracterizando a estacionalidade de produĆ§Ć£o, reconhecidamente um dos maiores problemas da produĆ§Ć£o animal em pasto. Nesse contexto, para que ritmos acelerados de crescimento e produĆ§Ć£o possam ser atingidos, Ć© necessĆ”rio que todos os fatores de crescimento se faƧam presentes. Normalmente, o uso de irrigaĆ§Ć£o favorece muito o crescimento das plantas nas Ć©pocas quentes do ano, quando ocorre falta de Ć”gua, os chamados veranicos. JĆ” em regiƵes de inverno frio e seco, a irrigaĆ§Ć£o nĆ£o gera resultados significativos, uma vez que o fator limitante, alĆ©m da Ć”gua, Ć© a baixa temperatura.

Cada planta forrageira possui uma temperatura basal mĆ­nima, abaixo da qual seu crescimento Ć© praticamente paralisado. Normalmente, sĆ£o comuns valores variando entre 13 e 17 oC para espĆ©cies de gramĆ­neas forrageiras tropicais. Dessa maneira, se as temperaturas mĆ­nimas de uma dada regiĆ£o sĆ£o inferiores Ć  temperatura basal especĆ­fica da planta em uso, nĆ£o adianta irrigar porque a planta nĆ£o irĆ” crescer. Ɖ por essa razĆ£o que quanto mais distante da linha do Equador (paralelo 0), mais crĆ­tica Ć© a condiĆ§Ć£o de ambiente durante os meses de inverno (temperaturas baixas), o que faz com que a irrigaĆ§Ć£o aumente a produĆ§Ć£o de verĆ£o e praticamente nĆ£o altere a de inverno, aumentando ainda mais a estacionalidade de produĆ§Ć£o e agravando o problema de distribuiĆ§Ć£o e disponibilidade de alimento ao longo do ano para os animais.
Irrigat e animais

Nesse contexto, a irrigaĆ§Ć£o seria uma alternativa muito mais interessante para aumentar a produĆ§Ć£o de verĆ£o apenas, o que Ć© condizente com um sistema tipicamente estacional de produĆ§Ć£o (caracterĆ­stica muitas vezes pouco desejĆ”vel quando Ć© considerado o aspecto comercial e econĆ“mico da exploraĆ§Ć£o) ou altamente dependente de forragem conservada e/ou culturas forrageiras suplementares. Por outro lado, nas regiƵes prĆ³ximas do Equador (paralelos 0 a 5), a amplitude tĆ©rmica entre as Ć©pocas de verĆ£o e inverno Ć© pequena, o que favorece o uso mais eficiente da Ć”gua e da irrigaĆ§Ć£o, uma vez que Ć© possĆ­vel propiciar crescimento acelerado das plantas forrageiras durante praticamente o ano todo, possibilitando fluxo mais adequado da produĆ§Ć£o e menor dependĆŖncia de alimentos volumosos suplementares.

O processo de intensificaĆ§Ć£o da produĆ§Ć£o animal em pasto deve seguir uma seqĆ¼ĆŖncia lĆ³gica e hierĆ”rquica, de forma que as premissas bĆ”sicas para que os benefĆ­cios auferidos em cada nĆ­vel hierĆ”rquico anterior sejam mantidos e propiciem condiƧƵes de progresso para o nĆ­vel seguinte. Dessa forma, independentemente da quantidade de forragem produzida no pasto, o primeiro passo Ć© sempre colher muito bem a forragem produzida, de forma eficiente e no ponto ideal, assegurando o valor nutritivo da forragem consumida e perdas reduzidas de pastejo. Se este primeiro nĆ­vel hierĆ”rquico Ć© atingido e mantido com sucesso, o prĆ³ximo nĆ­vel seria o de aumentar o crescimento e a produĆ§Ć£o da planta forrageira, sem, contudo, abrir mĆ£o da colheita eficiente e adequada da forragem. Nesse contexto, surgem as prĆ”ticas e os investimentos em fertilidade e correĆ§Ć£o do solo, particularmente o uso de fertilizantes nitrogenados, reconhecidamente determinantes da produĆ§Ć£o de forragem. Se nesse segundo nĆ­vel de intensificaĆ§Ć£o a colheita continuar sendo realizada de forma adequada, o aumento em produtividade Ć© muito grande e passa agora a ser limitado por perĆ­odos de falta de Ć”gua (veranicos e/ou perĆ­odo seco do ano).